Viajar é se Inspirar: Arquitetura e Decoração de Nova Orleans

Antes de mais nada, deixa eu pegar a tacinha de espumante aqui porque este é o centésimo post do blog! Pra comemorar, um post especial sobre um dos lugares mais incríveis que já tive a oportunidade de conhecer, extremamente rico em termos de arquitetura e decoração. Inspire-se! E um brinde aos próximos 100!

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Viajar é uma das coisas que mais me enche de alegria e inspiração: a inspiração maior vem do fato de que a gente aprende a olhar para o mundo de forma diferente, olhando para ele como outras pessoas o enxergam. Isso em termos bem abrangentes, que incluem não só o estilo de vida, com também a forma como se expressam através das artes, da língua, na culinária e claro, até na arquitetura e na decoração.

Em 2010, visitei pela primeira vez um lugar que esteve desde sempre na minha imaginação: Nova Orleans, nos Estados Unidos. É o lugar onde uma das minhas escritoras favoritas cresceu e descreveu tão maravilhosamente em seus livros, que parecia que eu já havia visitado o lugar, que eu o conhecia. Surpreendentemente, “Nola” (o apelido da cidade) superou minhas já altas expectativas, e eu sabia que um dia voltaria com mais tempo e mais calma.

Olha, o mundo é cheio de lugares pra se conhecer, então a gente fica sempre com aquele sentimento de querer ir num lugar novo ao invés de voltar em um que nós já conhecemos. Mas honestamente? Poder voltar com calma, anos depois, num lugar que te marcou pra sempre e criar novas experiências é simplesmente incrível, talvez até mais interessante do que conhecer um lugar pela primeira vez.

E foi assim que resolvi voltar à New Orleans agora no início desse ano, nas férias de janeiro, 6 anos depois da minha primeira visita. E a experiência foi mil vez mais rica do que a primeira vez que fui. Olha só eu dando uns giros por algumas das paisagens incríveis da cidade:

 

Aqui no blog, quero focar num aspecto fundamental da experiência em Nova Orleans e que dialoga com todo o conteúdo do blog: sua arquitetura e decoração, extremamente inspiradores.

Bem, vamos começar com algo essencial e muito típico da arquitetura de Nola:

new orleans cast iron

As varandas e sacadas das casas do French Quarter, bairro de colonização francesa e espanhola, que dão o tom de muito da decoração da cidade, são estonteantes e tem algumas características importantes.

Em primeiro lugar, você pode notar os belíssimos trabalhos ornamentais em ferro fundido, típicos da colonização espanhola. Se olharmos bem, cada varanda possui sua própria padronagem que tem muitas vezes temas florais ou de folhas; mas, visualmente, eles são bem parecidos.

varandas nova orleans

Outra característica importante é o fato de que esses espaços externos são ricamente decorados com plantas: samambaias gigantes, heras, trepadeiras que se misturam ao ferro fundido, anjos e até fontes decorativas. É como um jardim, e algumas vezes você mal consegue ver a varanda de tantas plantas que ela possui.

sacadinha do hotel, um típico balcony de New Orleans #inspiração

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Esse é o balcony do lugar onde fiquei hospedado. Tem como não se inspirar ao acordar com uma varandinha dessas?

Bem, falando de jardins e áreas verdes, as varandas apenas refletem o que acontece lá embaixo: os jardins de New Orleans (sejam em parques, em espaços públicos ou privados) são extremamente ricos e tem algo de tipicamente ‘selvagem’: não são aqueles jardins perfeitinhos onde as plantas estão sempre impecavelmente podadas. Os jardins são espaços onde a natureza se expressa, seja ordenada ou desordenadamente. Então se a trepadeira tomou completamente o espaço, assim ficará; se a hera está tão cheia que está tapando alguma vista, assim será.

longue vue gardens

Acredito que essa foto reflita um pouco dessa estética do lugar; as plantas se misturam ao muro de forma completamente natural, como se estivesse reclamando seu lugar ali; a vegetação (e a decoração) nem sempre é regular, mas é de uma beleza incrível.

Novamente aqui temos a presença dos tijolinhos e das plantas de forma bem extravagante e aleatória. Esse é um dos tradicionais pátios de New Orleans – pátios são lugares à céu aberto, geralmente no meio de um edifício, mas também podem ser na parte de trás ou em outro lugar, onde há geralmente uma fonte como ponto focal e muito verde. E as fontes? Tem musgo sim, tem lodo sim, e ai de quem for lá limpar!

fonte new orleans

O resultado é que não parece algo que foi projetadinho, e sim algo extremamente natural e orgânico. Acho que essa é a palavra que descreve a questão da natureza incorporada na arquitetura e na decoração de New Orleans: organicidade. Autenticidade.

courtyard new orleans

garden new orleans

É um tipo de desorganização que parece quase organizada; é um tipo de beleza rústica extremamente atraente.

Quanto às casas, podemos pensar nas icônicas e coloridas casas de colonização francesa do French Quarter e do Marigny:

algiers house new orleans

casa nova orleans

Alguns pontos em comum: a presença de cores fortes e a necessidade de contraste: a fachada é pintada de uma cor, e geralmente a porta numa outra cor contrastante. Às vezes a porta é de uma cor e o portal/caixonete de uma outra terceira cor.

…e um pouco do charme de casas bem menores no Marigny. Amei essa casinha ❤

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Essa pequena casa no bairro do Marigny foi uma das que mais gostei: olha o tamanho dessa casinha, dessa fachada! E ainda assim, nota-se um cuidado enorme em deixá-la com uma identidade única, como nenhuma outra na rua (Se isso não é inspirador para quem mora em apartamento pequeno, eu não sei o que é!) O número da casa é feito com partes de relógio e bijuterias. O portão? Todo feito de chapinhas coloridas. Lindo demais.

Mas Nova Orleães também tem seu lado luxuoso, e ele se encontra no Garden District, bairro de colonização americana onde várias celebridades tem propriedades.

garden district house

O estilo como vocês podem perceber é completamente diferente: grandes colunas imponentes se fazem presentes nas varandas de mansões que não apresentam as cores do bairro francês; aqui, as cores que prevalecem são mesmo o branco, o bege e o cinza. Os tijolinhos, entretanto, costumam reaparecer, e o ferro fundido das sacadas do French Quarter aparece nos portões das casas.

buscando inspiração pra escrever direto da fonte. casa da Anne Rice no Garden District 😍

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Lembra da escritora que mencionei no início do post, uma das grandes responsáveis por minha curiosidade em conhecer a cidade já aos 11, 12 anos de idade? Pois então, ela descrevia em um de seus livros uma casa na esquina da First Street com a Chestnut, e eu, passeando pelo bairro, passei por lá, claro. A casa que ela descreve no livro é exatamente a casa que existe no local – inclusive, a casa pertence á própria autora! (que não mora mais no lugar).

Estamos falando de Anne Rice, e de clássicos como “Entrevista com o Vampiro“, que descrevem a beleza do Sul dos Estados Unidos e da Louisiana de forma exuberante.

Bem, não tem como fazer uma viagem dessas e voltar do mesmo jeito, tem? A gente sempre carrega conosco um pouco do que vemos por aí, especialmente quando se trata de um lugar tão especial como esse é para mim. Voltei com algumas ideias borbulhando em minha mente e essa é a gênese… qualquer hora dessas, quando/se eu começar a colocar o que tenho em mente em prática, eu volto aqui e me refiro à esse post.

 

ATUALIZAÇÃO- 12/09-2016-  E aqui está no que deu essa fonte de inspiração chamada Nova Orleans!!!

 

Abraços e até breve!

Thiago S.

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